Ainda criança (6 anos), já via minha irmã (7 anos) estudar em uma escola de zona rural no Bairro da Anhumas, município Ubirajara-SP, e chorava de vontade de ir estudar com ela.
A professora era encantadora e se chamava Creusa. A mesma permitiu que às vezes eu fosse assistir a suas aulas com minha irmã, isso me causou imensa alegria.
Professora que lecionava com uma “lousinha” pequena e subdividida em quatro partes (1ª à 4ª série), mas que mesmo com isso, sendo merendeira, servente, inspetora e mestre, fazia a sua parte na escolarização de um grupo de crianças da zona rural. Tudo com muito zelo, presteza, amor, dedicação e entrega.
Assim, meu primeiro encanto pelo mundo das letras, números, leitura e narrativas, foi investigado por essa bela profissional.
No ano seguinte vim para Alvinlândia-SP e como já estava em idade de 1ª série, não fiz pré-escola, mas meus colegas sim. Sofri muito, me sentia perdida, incompreendida, descuidada e discriminada pela minha condição social. Mas, caminhei com dificuldades, auxiliada por meus familiares e no fim venci.
Nunca me esqueço e acho que até hoje odeio a letra do alfabeto maiúsculo cursivo, pois por não conseguir seu traçado fui muito humilhada, criticada aos berros e chorei muitas vezes.
Depois só me lembro de ser tudo tranquilo (2ª a 4ª série), mas ainda sentia a diferença de tratamento entre as classes social presentes na sala.
Fui uma aluna de nível médio, sempre muito incentivada por meus pais a estudar, respeitar os mais velhos e ser gente ao crescer (fala de meus pais).
Foi de 5ª a 7ª série que conheci a melhor pessoa que poderia ter passado por minha vida educacional, a professora Neusa Assis, que me fez competente quanto ao português. Mulher religiosa, igualitária, compromissada, pacienciosa e que nos oportunizava: redações, correções/reescrita, leitura silenciosa, após oral, compartilhada, leitura de um livro semanal, caderno de resumo dos livros que li, roda de conto, ortografia, análise de texto e respostas as questões da forma correta...
Após passaram outras por minha vida nessa área como: Beatriz (Duartina-SP – E.M) e Sônia Molina (Garça-SP – magistério). Quanto a matemática tudo foi muito tradicional, sofrido e nível médio a ruím de aprendizado para aplicação na vida.
Logo de cara, saindo do ensino médio, a primeira muralha um concurso para agente do IBGE (CENSO) e não tinha nada de base para matemática financeira. Mas, a vida nos causa momentos que nem sabemos que não vivemos sem propósito e passei em 2º lugar para agente da minha cidade, graças a uma conversa que presenciei entre meu namorado (professor) e meu pai (que só tem 2ª série) sobre porcentagem. A conversa que me gravou foi 10% de 1000 é 100, de 100 é 10, de 10 é 1 e de 1 é 0,10. Assim, fiquei achando a razão entre valores que tinha nos problemas do concurso, das diferentes porcentagens, fui a última a sair da sala, porém valeu a pena.
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